Com grande alegria e simplicidade, nós, Missionários da Consolata da Região da Europa ordenados nos últimos dez anos, participámos no encontro “De mãos dadas com Allamano”, que decorreu em Portugal de 8 a 11 de abril. A Região Europa dos Missionários da Consolata é composta por Portugal, Espanha, Marrocos, Itália e Polónia, e vivemos esta experiência sempre inspirados por algumas das palavras de São José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata: “Vocês são todos irmãos e irmãs, e devem preparar-se para viver e trabalhar juntos toda a vida. Devemos ter um espírito de equipa a ponto de darmos as nossas vidas uns pelos outros.”
O encontro foi vivido em espírito de família, tal como desejava Allamano. Foram dias marcados por risos, pelas brincadeiras típicas dos tempos de seminário, por belas recordações da nossa formação conjunta e também por momentos de silêncio e de escuta recíproca das experiências de cada um. Esses dias permitiram-nos conhecer e apreciar melhor a missão em Portugal, graças às visitas às comunidades da Consolata e aos encontros com confrades, amigos e colaboradores dos vários lugares onde a congregação está presente.

Participantes visitaram locais onde a congregação
fundada por Allamano está presente
No Porto, escutámos o padre João Batista Amâncio, que nasceu no Brasil há 54 anos. Ele partilhou connosco a sua experiência de viver a missão apesar da fragilidade provocada por um glaucoma que lhe está a retirar a visão. A partir da sua própria história, procurou fazer-nos compreender que a fragilidade não nos deve limitar.
De facto, até o nosso fundador, mesmo com a saúde debilitada, nunca parou: continuou a sua missão e fundou duas congregações religiosas – os Missionários e as Missionárias da Consolata. Na sua partilha simples e fraterna, o padre João Batista recordou-nos que é preciso aprender a conviver com aquilo que a vida nos reserva e que, na missão, somos chamados a viver com humildade. E, quando surgem fragilidades ou problemas de saúde, devemos
deixar-nos guiar pelos outros.
Neste encontro, vivemos também momentos comunitários de partilha e aprendizagem sobre a missão que os irmãos desenvolvem. Estes momentos ajudaram-nos a compreender melhor o que as comunidades vivem no dia a dia e de que forma a missão é realizada. Sempre que possível, celebrámos a Eucaristia com as comunidades locais – no Porto, em Braga, em Fátima e no Bairro do Zambujal, na Amadora.

Missionários viveram o encontro como peregrinos, e não como turistas
Visitámos alguns dos centros históricos de Portugal, não apenas como turistas, mas em verdadeiro espírito de peregrinação. Foi um belo momento de companheirismo, que nos ajudou a refletir sobre a importância de fortalecer a nossa amizade. Durante essas visitas, rimos, dançámos e partilhámos os desafios e as alegrias da missão.
Em Fátima, durante a Eucaristia, o terço, a procissão das velas e a visita aos locais onde os três pastorinhos viram Nossa Senhora pudemos compreender melhor o amor de Allamano pela Mãe de Cristo e aprender, com o seu exemplo, a deixar-nos guiar por Maria. Foi um momento intenso e belo, vivido graças à dedicação e hospitalidade dos nossos irmãos portugueses.
Prometemos a nós mesmos que voltaríamos a encontrar-nos num próximo encontro: afinal, a peregrinação continua. Como jovens missionários, queremos partilhar três palavras que marcaram a nossa caminhada e que consideramos a nossa bússola para o futuro. A primeira dessas palavras é amizade. É importante ter amigos: a verdadeira amizade sustenta-nos nos momentos difíceis, multiplica a alegria e recorda-nos que não caminhamos sozinhos. Vamos cultivá-la com gestos simples, escuta atenta e presença fiel.
A segunda palavra é fraternidade. É essencial criar um ambiente de irmandade e viver com espírito de família. Onde há fraternidade, o muro da indiferença desmorona. Somos irmãos e irmãs, chamados a cuidar uns dos outros, a perdoar-nos mutuamente e a construir comunidades onde todos se sintam em casa.

Participantes celebraram uma Eucaristia no Santuário de Fátima
A terceira e última palavra é formação. Nunca devemos deixar de estudar nem de nos manter atualizados. A missão exige mente e coração, tal como dizia
Allamano. A nossa formação é um ato de amor por aqueles que encontramos: permite-nos anunciar o Evangelho com sinceridade, servir com competência e responder aos desafios do nosso tempo. Levamos connosco estas três palavras como um pacto: crescer na amizade, viver em fraternidade e continuar a nossa formação. Desta forma, nosso ‘Sim’ à missão tornar-se-á cada vez mais autêntico e frutífero.
Texto: Lázaro Gil e Elmer Pelaez, Missionários da Consolata ao serviço em Itália
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