Mensagem de Natal: “Maria Consolata ensina-nos a tornar nossa a luz de Cristo e a entregá-la a todo o mundo”

“Recomeçando nos sempre novos caminhos do Senhor: Cristo, luz das nações”, é a frase que dá título à Mensagem de Natal do padre James Lengarin, Superior geral dos Missionários da Consolata

 

 

Caros irmãos e irmãs,

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.” (Jo 8:12)

 

Nos nossos dias somos chamados à missão numa era de mudanças, marcada por conflitos e crises que redesenham a dinâmica de uma nova ordem global, cheia de incertezas e novos desafios para o futuro. É necessário recomeçar, por novos caminhos de pensamento e novas escolhas, dentro de um cenário complexo e, quando as forças vêm do alto, deixar-nos guiar pela luz de Cristo, que ilumina o caminho de todos os povos.

 

O futuro não deve assustar-nos, porque ousar a novidade da missão não significa necessariamente romper com a tradição, pelo contrário, torna-se uma garantia de fidelidade criativa ao sopro do Espírito que abre novos caminhos no deserto, superando os muros da discriminação, e constrói pontes dediálogo, encontro e fraternidade. Como missionários, somos chamados a trilhar os caminhos da fragilidade e da desolação e orientar-nos pelo acolhimento e proximidade, e também a percorrer os caminhos digitais e interculturais.

 

O Jubileu da Esperança foi um tempo de misericórdia para todos, para abrir as portas do coração e permitir-nos ser transformados pela Graça. Um momento oportuno para descobrir que a verdadeira alegria não vem das conquistas materiais ou tecnológicas, mas do encontro com Cristo, nosso Salvador.

 

Assim, a celebração do Natal neste Ano Jubilar de 2025 adquire um significado ainda mais profundo porque é vivida como um tempo de graça, reconciliação e missão renovada. É um convite para regressar às raízes da nossa fé, para contemplar o mistério da Encarnação: Deus que se torna homem, se aproxima e se manifesta como luz para a jornada.

O Natal é precisamente a festa da luz que vence a escuridão, da vida que vence a morte, da esperança que renasce sempre mesmo em tempos difíceis. Num mundo marcado por conflitos, solidão e novas formas de pobreza, Cristo apresenta-se como a luz das nações, capaz de iluminar cada coração e toda a história.

 

Somos como o “povo que andava nas trevas e viu uma grande luz; sobre os que habitavam na sombra da morte, una luz começou a brilhar” (Isaías 9:1). Portanto, “Cristo, luz das nações” não é apenas uma definição teológica: é uma realidade viva que nos desafia hoje.

 

A Família da Consolata, fundada por São José Allamano, encontra a sua identidade e missão neste mistério. A Mãe Consolata, que acolhe e guarda o Filho de Deus, torna-se um modelo de consolação para toda a humanidade. Allamano ensinou-nos que a santidade não é um privilégio para poucos, mas um chamamento universal, como ele costumava exortar: “Sede santos, mas totalmente santos, não por metade.”

 

O Natal convida-nos a viver esta santidade na missão concreta para:

– Ser luz nas famílias, levando-lhes paz e unidade.

– Ser uma luz entre os pobres e sofredores, oferecendo consolo e esperança.

– Ser luz também no mundo digital, onde as relações se entrelaçam e o Evangelho pode ressoar como uma palavra viva.

Em Belém, Deus escolhe a pequenez para manifestar a sua grandeza. É ali, na simplicidade de uma gruta, que nasce a salvação. É aí que a luz de Cristo começa a brilhar para todos os povos.

 

“O presépio fala-nos da humildade e simplicidade do Senhor. Se ele se fez pequeno, porque é que nós não havíamos de nos tornar pequenos também? … Esta Criança deu-nos uma lição importante sobre como superar os três desejos humanos: prazeres, riquezas e honras, para nos ensinar também a superá-los. Deu-nos um exemplo disso com os seus sofrimentos, com a sua pobreza e humildade. Ao nascer tão pobre, o Senhor quis separar-nos a todos dos prazeres deste mundo. Canonizou, de facto, a pobreza.(Tudo pelo Evangelho, n.61).

 

São José Allamano ao lembrar-nos que: “Não basta ser bons, mas devemos ser missionários”, incita-nos, neste Natal, não a fechar-nos no conforto, mas a sair, a levar a consolação de Cristo até aos confins da terra e também às periferias existenciais que habitam as nossas cidades e comunidades cristãs.

 

A nossa missão tornar-nos-á sinal de consolação e de esperança:

– Consolação para aqueles que vivem o cansaço da vida.

– Consolação para aqueles que procuram significado na jornada.

– Consolação para quem espera uma palavra de paz.

 

 

Caros irmãos e irmãs,

 

Retomemos a caminhada, orientemos a viagem, vamos a Belém. É uma viagem longa, cansativa e difícil, eu sei. Mas esta, que temos de fazer “olhando para trás”, é a única viagem que nos pode incitar a ir “para a frente” nos caminhos da missão.

 

O importante é pôr-se em caminho. O Santo Fundador assegura-nos que por Jesus Cristo vale a pena deixar tudo. E se em Belém, em vez de um Deus glorioso, nos depararmos com a fragilidade de uma criança, com todas as conotações de miséria, não duvidemos pensando que tomámos o caminho errado. Porque, desde aquela noite, desde aquele Natal, os rostos assustados dos oprimidos, o corpo de quem sofre, a solidão dos infelizes, a amargura de todos os mais pequeninos da terra, tornaram-se o lugar onde a Criança continua a nascer e a viver escondida.

 

Cabe-nos a nós procurá-la, reconhecê-la e amá-la e, com Ela, saborear o essencial, as coisas simples, o zelo pela missão, o desejo de compromisso com a justiça e a paz, o encanto da verdadeira liberdade e a ternura da oração.

Em Belém também encontraremos Maria Consolata, que nos acompanha neste reinício e nos abraça, tal como fez com o Menino Jesus. Ela ensina-nos a tornar nossa a luz de Cristo e a entregá-la a todo o mundo.

 

Que a Mãe Consolata vos proteja e que o espírito missionário de São José Allamano vos inspire a ser testemunhas de esperança e consolação no nosso mundo.

Que este abençoado tempo vos dê a paz e a alegria do Senhor. Seja ele tempo propício para saborear as suas maravilhas, para sermos surpreendidos pela sua luz e para partilhar com os outros a consolação que vem da fé, “o Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jn 1:14).

 

Ponhamo-nos em caminho, portanto, sem medo, em direção a Belém para um novo começo da missão!

Feliz Natal para cada um de vós e para as vossas famílias.

P. James Bhola Lengarin, IMC