
Dom Osório Citora Afonso
Numa mensagem enviada aos Missionário da Consolata (IMC) no mundo, padre James Lengarin, Superior Geral deste instituto missionário, presente em mais de 20 países, confessa que o assassinato de D. Osório o deixou com “o coração pesado e profundamente ferido”. Pede união neste momento de dor e, sobretudo, exige que “a verdade venha à tona”:
“Desejo dizê-lo com clareza e respeito: temos o dever moral e espiritual de desejar que a verdade sobre o que aconteceu venha totalmente à tona. A morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza. A verdade é um ato de justiça para com Osório, para com o seu povo e para com a nossa própria missão.”
Leia a Mensagem do P. James Lengarin:
“Caríssimos Missionários da Consolata,
escrevo-vos com o coração pesado e profundamente ferido pela notícia da morte do nosso confrade, Mons. Osório Citora Afonso. O seu assassinato apanhou-nos desprevenidos, abalou-nos profundamente e deixou em todos nós uma dor difícil de expressar.
Osório era um de nós. Um irmão simples, sorridente, capaz de caminhar entre as pessoas sem defesas, com a única força da Palavra de Deus. Um missionário que nunca deixou de acreditar na bondade das pessoas, na paz, na reconciliação. Um pastor que se deixou consumir pelo serviço, até ao último dia.
A sua morte violenta interpela-nos, fere-nos, põe-nos de joelhos. Mas é precisamente deste lugar de fragilidade que nasce também a nossa força: a comunhão. Somos uma família, e quando um de nós sofre, todos sofremos. Quando um de nós cai, todos nos inclinamos para o levantar. Quando um de nós dá a vida, todos somos chamados a renovar a nossa.
Neste momento tão difícil, desejo pedir-vos três coisas:
Em primeiro lugar, rezem. Rezem por Osório, pela sua diocese, pela Igreja de Moçambique, por quem carrega no coração medo e desorientação. Rezem para que o Senhor transforme esta dor em luz.
Depois, permaneçam unidos. Não deixemos que a violência nos divida ou nos paralise. A missão continua, e continua precisamente através da nossa fraternidade, da nossa fidelidade, da nossa presença entre os mais pequenos.
Por fim, desejo dizê-lo com clareza e respeito: temos o dever moral e espiritual de desejar que a verdade sobre o que aconteceu venha totalmente à tona. A morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza. A verdade é um ato de justiça para com Osório, para com o seu povo e para com a nossa própria missão.
Neste ano em que celebramos o Centenário da partida para o céu do nosso Fundador, ressoam mais fortes do que nunca as suas palavras nos momentos de provação: «O Senhor guia e não abandona.» Não são palavras fáceis, mas são verdadeiras. E hoje precisamos de as repetir juntos.
Confio cada um de vós à Consolata, Mãe da ternura e da força. E confio o nosso querido Osório à misericórdia do Senhor, certo de que o seu sorriso continua agora na luz do Ressuscitado. Reza por nós, querido irmão Bispo!
Na fé,
Roma, 7 de junho 2026
Superior Geral do Instituto Missionários da Consolata