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Padre Norberto: “Não me enganei na vocação”

(Publicado em: 26/04/2022)

O Padre Noberto Louro faleceu nesta segunda-feira, 25 de abril de 2022, aos 84 anos de idade. O óbito ocorreu no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), onde estava internado.
O corpo do Padre Norberto vai estar em câmara ardente a partir das 19h45 desta terça-feira, 26, na capela pública do antigo Seminário da Consolata, em Fátima. A Missa Exequial vai ser celebrada na quarta-feira, dia 27, pelas 15 horas. Segue-se o cortejo fúnebre para o cemitério de Fátima, onde será sepultado.

 

Algumas notas sobre vida e obra do Padre Norberto
Norberto Ribeiro Louro nasceu no dia 14 de fevereiro de 1938, numa família rural, em Cardigos, municipio de Mação, distrito de Santarém.
Um dia, numa entrevista dada à RTP, a propósito do lançamento do seu livro de crónicas “A Missão é Simpática”, contou que foi no dia da sua primeira comunhão que decidiu entrar para o seminário, mesmo “não sabendo bem o que era ser padre”, no entanto, não hesitou: “entrei e não me enganei na vocação”.
O percurso resume-se nestas etapas. Fez a profissão dos votos temporários em outubro de 1957, na Certosa di Pesio (Itália) e a profissão perpétua a 2 de outubro de 1960, em Turim, a mesma cidade onde foi depois ordenado diácono, a 22 de dezembro de 1962, e mais tarde sacerdote, no dia 30 de março de 1963. Após a ordenação sacerdotal veio para Portugal, foi professor assistente em Fátima e depois em Ermesinde. Em 1967 foi nomeado diretor da revista Fátima Missionária, cargo que exerceu até 1970, ano em que assumiu a direção do Seminário da Consolata em Fátima.
Chegou a hora de partir para além mar. Moçambique estava desde a infância no seu coração. Em 1973 foi destinado à missão, naquele país africano, que ele aprendeu a amar muito antes de partir. Ali, foi vice-pároco em Mepanhira (1973-1974), Professor e vice-pároco em Cuamba (1974-1976), missão onde fez também preparação de professores que depois iriam ensinar as novas gerações de moçambicanos. Foi ainda professor em Mepanhira (1976-1977), vice-pároco em Lichinga (1977-1980), e foi pároco em Marrupa (1980-1983). Já entre os anos de 1983 a 1985 exerceu o cargo de diretor do Seminário Interdiocesano de Nampula.
Em 1985 foi eleito superior regional da Consolata em Moçambique.
Corria o ano de 1990 quando foi destinado a Portugal. Por cá, começou por ser conselheiro regional por um mandato. Mas em 1994 voltou para Moçambique, para assumir o cargo de mestre de noviços no Noviciado África, em Maputo. Em 1999, na eleição para uma nova Direção Geral do IMC, o Padre Norberto foi eleito e passou a ser um dos conselheiros daquela Direção Geral, sob a direção do então superior geral Padre Trabucco. Assumir esta responsabilidade supunha ter de ir para a Casa Geral, em Roma, onde permaneceu até 2005. Terminado esse cargo, o Padre Norberto foi eleito em 2005 superior regional da Consolata em Portugal, tendo sido depois votado para um segundo mandato, que terminou em 2011.
Depois desta experiência rumou a norte, para a comunidade de Águas Santas, no Porto. Em 2014 voltou à pastoral paroquial, agora já na comunidade de São Marcos, no Cacém. A sua última comunidade foi a da Consolata do Cacém, onde integrou a equipa formativa do Centro Missionário Padre Paulino e foi um grande apoio para os refugiados que esta casa acolheu nos últimos anos.
À data do seu falecimento, o Padre Norberto tinha 84 anos, dos quais 64 de profissão religiosa e 59 de sacerdócio.

 

Reações ao seu falecimento
Das inúmeras mensagens que temos recebido, mal se soube do seu falecimento, transcrevemos estas, sobretudo de colegas missionários no sacerdócio, que com ele privaram. O Padre Matias, que além de partilharem a terra natal – Cardigos, partilharam também missão em Moçambique, resume o que sente em poucas palavras: “Grande missionário e amigo. Já recebeu a coroa do apostolado missionário. Descanse em paz.”
Já o Padre Ermanno Savarino, missionário da Consolata italiano, que foi seu colega na comunidade do Cacém até há menos de um mês, altura em que rumou para a sua nova destinação na Itália, escreveu: “Obrigado, Padre Norberto! A missão, nestes anos contigo, foi verdadeiramente “simpática”. Sempre tiveste palavras boas para animar e encorajar. Com a tua idade avançada e a tua grande experiência de vida e de missão, soubeste ainda abrir o coração ao novo, aos outros, compreender, acolher e abençoar o bem que fizemos e contribuir, com humildade comovente, com sabedoria rara, com simplicidade e carinho. Agora vivente em Cristo, intercede por nós!”
O Padre Paco Lopes, espanhol, atualmente em missão no Brasil: “Quero expressar a minha comunhão com os nossos missionários que trabalham em Portugal. Estou seguro que todos os que conhecíamos de perto o querido Pe Norberto, concordaremos no dizer que ele foi um missionário da Consolata plenamente identificado, de uma grande humanidade e generosidade, sempre positivo, alegre, fraterno. Agradeço a Deus por tê-lo conhecido! Estou seguro que, agora, já no Paraíso, perto de Deus e de nossa Mãe, continua a trabalhar por Portugal, por Moçambique, pelo Instituto. Um protetor mais no Paraíso!!! Transmitam minhas condolências a todos.”
E, finalmente, o Padre Inverardi, missionário da Consolata italiano, que já foi superior geral do IMC, e atualmente a trabalhar na Tanzânia, escreveu: “ Padre Norberto foi meu companheiro desde o noviciado em diante. Deveríamos ir juntos para os Estados Unidos para estudar teologia, mas finalmente não pôde ir. Tive muita pena de não ter um companheiro tão sereno e otimista como ele. Recordo com admiração a assistência fraterna que prestou aos missionários durante a guerra interna em Moçambique. Nada o impediu de os visitar, mesmo em perigo. Ele trouxe-lhes tudo o que podia carregar. A sua é uma presença no meu coração. Mais do que rezar por ele, ele reza por mim. E não demorará muito até eu o alcançar. Com um coração ainda pascal, um forte abraço.”

 

Padre Norberto deixa-nos o livro de crónicas: “A missão é Simpática”. Uma resenha de crónicas que ele foi escrevendo e publicando anos a fio na revista Fátima Missionária, e mais tarde reunidas em livro, numa obra que foi muito do agrado dos leitores e em que lhe narra sobretudo episódios da vida missionária com muito humor à mistura.

 

– Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso.
Entre os esplendores da luz perpétua
Descanse em paz.
Amen

 

um comentário

  • Maria José Pequito diz:

    Fiquei chocada com a partida do Padre Norberto. Unia-nos uma profunda amizade. Esta Páscoa não liguei porque tive uma avaria grave no telemóvel e agora estou sem palavras…
    Era uma sacerdote alegre carinhoso e com o seu temperamento tão peculiar que nos levava a refletir e darmos o melhor de nós.
    Uma altura em que esteve em minha casa, sabendo ele que tinha tido um diferendo com o meu pároco da altura com um sorriso vira-se para mim e diz:
    O Misé vai dar catequese que o homem precisa de ti, deixa lá isso..
    Tocou-me a simplicidade e passado pouco tempo fui dar catequese e ainda continuo.
    Esta conversa meio na brincadeira fez- me ver que afinal ia servir Jesus.
    Senti muito a falta dos seus artigos na Fátima missionária que era a primeira coisa que fazia.
    Travou o bom combate e que agora receba a Recompensa da Eternidade.
    Descansa em paz e uniremos as nossas orações entre o céu e a terra.
    Todo o meu carinho e gratidão
    Misé