
Padre Pedro Louro é natural de Cardigos
Aos 33 anos, o padre Pedro Louro sentiu-se como uma criança que precisa de aprender a falar. Natural de Mação, este Missionário da Consolata deixou Portugal e partiu para a Coreia do Sul, onde viveu 16 anos
O padre Pedro Louro, natural de Cardigos, no concelho de Mação, viveu durante 16 anos na Coreia do Sul. Num testemunho enviado à FÁTIMA MISSIONÁRIA, o Missionário da Consolata que este ano celebra os seus 60 anos, recorda este período da sua vida, que teve início em agosto de 1999. “As dificuldades não faltaram no caminho de aculturação e incarnação no novo ambiente missionário na Coreia do Sul, e envolveram estudar a língua, sair à rua e não perceber ninguém, e sentir-me, aos 33 anos, como uma criança que tem de começar a aprender de novo quase tudo.”
Na Coreia do Sul, o padre Pedro e restantes missionários dedicavam-se à evangelização, sobretudo entre os mais pobres, e ao diálogo inter-religioso. Os primeiros cinco anos naquele país foram quase exclusivamente passados junto da “comunidade do bairro da lata de Guryong, entre os pobres da periferia de Seul”. O religioso recorda com saudade um dos seus companheiros de missão, o padre Joseph Otieno, que “faleceu jovem”, durante uma maratona de caridade. “Originário do Quénia, era um ás na corrida, mas o frio extremo daquele fatídico dia 18 de dezembro de 2005, ‘passou-lhe a perna’. Foi a primeira semente da Consolata, semeada com tanta dor em terras coreanas.”
A partir de 2006, o missionário dedicou-se, de modo especial, à pastoral juvenil. “Através deste trabalho pude aperceber-me de como numa sociedade desenvolvida e, aparentemente, feliz, havia tantas histórias de solidão, de temor e insatisfação que esperavam da fé uma palavra de consolação. Nem os jovens estavam isentos disto, procurando nos grupos bíblicos e de oração um momento de paz e encorajamento, mesmo não sendo cristãos.”
O missionário destaca a grande ligação entre o povo sul coreano e a Sagrada Escritura. “Foi para o estudo da Sagrada Escritura que se criaram as primeiras comunidades católicas, ainda sem terem conhecimento do que era realmente a Igreja. Os livros da Bíblia transcritos à mão e passados de comunidade em comunidade foram amparo durante a perseguição que durou mais de um século com milhares de mártires.”
Nas periferias de Roma
Num outro ponto do globo, mas igualmente marcante, foi a experiência pastoral que este missionário realizou após o noviciado, na paróquia de São Paulo da Cruz, no bairro de Corviale, na periferia da cidade de Roma. “O bairro assemelha-se uma ‘grande serpente’ de um quilómetro em que foram alojadas aqueles que perderam as suas casas por pobreza ou outras dificuldades. Catequese e acompanhamento humano e espiritual eram desafios a que a paróquia dava resposta. E com ela também nós, seminaristas da Consolata, oferecíamos uma parte do nosso tempo a esta obra de consolação.”

Ordenação sacerdotal aconteceu em Fátima, após formação em Portugal e Itália
Percurso formativo
O padre Pedro Louro recorda que sentiu o “chamamento à vida missionária” aos dez anos, no seio de um “ambiente católico”. Em outubro de 1976, entrou para o seminário. Depois da sua formação em Portugal partiu em 1986 para Itália, onde fez o noviciado e o mestrado em Teologia Bíblica. A sua ordenação sacerdotal aconteceu a 8 de agosto de 1992, em Fátima. A sua vida missionária desenrolou-se depois em Águas Santas e no Cacém, onde, ao longo oito anos, se dedicou ao acompanhamento de seminaristas e à pastoral juvenil. “Agradeço ao Senhor pelas pessoas boas que colocou no meu caminho. Ajudaram a amadurecer a minha vocação missionária.”
O regresso a Itália
A sua vida na Coreia do Sul ficou também marcada pelo cargo de Superior da Delegação, entre 2011 e 2016, onde teve de “dar prioridade a assuntos da comunidade e acompanhar os numerosos amigos e benfeitores” da congregação. Terminado este mandato, foi para Roma como Secretário Geral do Instituto Missionário da Consolata. “Já tinha estado em Roma, mas para mim agora era tudo diferente: documentos para ler, fazer e arquivar, uma das coisas que me parece ter menos jeito para fazer.” O padre Pedro afirma que este foi um serviço “complexo”. Contudo, “entre dores e cansaços”, o missionário afirma que teve “uma experiência muito enriquecedora” que o fez “perceber a necessidade de uma conversão do idealismo à realidade”. O missionário deixou recentemente esta função e afirma que agora aguarda pela proposta de “um novo início”.
Texto: Juliana Batista

Missionários dedicam-se à evangelizaçao e ao diálogo inter-religioso na Coreia do Sul
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