Religioso faleceu a 30 de maio e foi recordado como homem de fé, simplicidade e entrega missionária em Moçambique, na República Democrática do Congo e em Portugal. Tinha 92 anos de vida e 72 de consagração religiosa.
A Missa de funeral do Irmão António Gonçalves, que partiu para a casa do Pai no passado dia 30 de maio, após uma vida inteiramente dedicada à missão, foi celebrada esta terça-feira, 2 de junho, em Fátima, em ambiente de fé, gratidão e esperança cristã.
A celebração de despedida reuniu familiares do falecido, algumas dezenas de missionários da Consolata (sua família religiosa), missionárias da Consolata, amigos, confrades e membros da comunidade cristã para dar graças a Deus pelo testemunho de vida deste missionário da Consolata que soube fazer da simplicidade e da generosidade um caminho de santidade.
Mãos estendidas para dar
Na homilia da celebração, presidida pelo padre Albino Brás, IMC, superior da comunidade dos Olivais, casa religiosa de referência do irmão António, destacou-se a esperança cristã que ilumina o momento da despedida. “O Ir. António não morreu, mas adormeceu no Senhor”, afirmou o celebrante, sublinhando a certeza da fé na ressurreição e a convicção de que a vida oferecida em missão se transforma em semente de vida nova.
O celebrante destacou ainda a forma desprendida como viveu a sua consagração religiosa. Homem simples e sem apego aos bens materiais, encontrava a sua riqueza na partilha e na atenção aos outros. E deu exemplos: Durante os últimos anos dedicou-se com entusiasmo ao cultivo da horta da comunidade dos Olivais, repartindo generosamente os seus frutos com a própria comunidade, mas também com familiares, amigos e pessoas necessitadas.
“A verdadeira riqueza estava no coração aberto e na mão estendida para dar”, recordou o padre Albino, identificando um dos traços mais marcantes da personalidade do Irmão António.
«O missionário é aquele que faz da própria vida um dom para Deus e para os irmãos», sublinhou.
A homilia apresentou igualmente um retrato humano e verdadeiro do missionário. Dotado de um forte sentido de liberdade e independência, “a obediência não era o seu forte!” – referiu o celebrante, acrescentando que nem sempre era uma pessoa fácil de enquadrar numa ética e num projeto comunitário, mas era reconhecido pela sua inteligência, autenticidade, pelo seu espírito alegre e pelo fino sentido de humor que tantas vezes arrancava sorrisos a quem com ele convivia.
O presidente da celebração fez questão de frisar também algumas frases que António repetia frequentemente e que ficarão na memória de todos. O “É isso!”, “É prájudar”, “Vou-me deitar ao trabalho” (sempre dizia no fim do pequeno-almoço, antes de ir trabalhar para a horta). E, a mais significativa – e com isto o padre Albino terminou a homilia: a sua positividade e caminho aberto á esperança: “Nunca estive tão bem!”. De facto, já em situação de doença grave, acamado, à pergunta: “Ir. António, como é que está hoje?”, ele respondia, com voz fraca, mas sem hesitar: “Nunca estive tão bem!”. “E é essa mesma resposta que ele dá agora, nos braços do Pai. ‘Nunca estive tão bem’”, concluiu o celebrante.
Espírito mariano
Padre Albino lembrou ainda uma forte característica que une o Fundador do IMC, São José Allamano, e o irmão António: uma forte espiritualidade mariana. E lembrou que “parece uma feliz coincidência” que num ano particularmente significativo para a família da Consolata, que celebra o Centenário do Nascimento para o Céu de São José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata, a morte do Irmão António ganhe assim um “simbolismo especial”. Morrer no ano do centenário da morte do seu Pai Fundador. Por outro lado, tal como Allamano, que era ‘devotíssimo’ de Maria Consolata (de cujo Santuário, em Turim, foi reitor por longos 46 anos), também o irmão António cultivou uma profunda devoção mariana. Filho da terra de Fátima, António viveu a sua fé sob o olhar de Maria e confiou-Lhe o seu caminho missionário. Rezava o terço diariamente. Morreu ainda não tinha terminado o mês de maio, mês de Maria por excelência, e foi sepultado no início mês dedicado à Consolata.
No final da celebração, o conselheiro regional, padre Agostinho Silva, dedicou umas últimas palavras ao Ir. António, e sublinhou, com gratidão, toda a dedicação do padre Albino, que foi quem mais o acompanhou nos últimos meses, já muito doente. Agradeceu igualmente a presença de todos os que quiseram comparecer ao funeral.
Por fim, a comunidade foi convidada a elevar a Deus uma oração de gratidão pela vida do Irmão António Gonçalves, pedindo que São José Allamano, Nossa Senhora da Consolata e Nossa Senhora de Fátima o acolham na plenitude da vida eterna.
A sua memória permanecerá viva entre os confrades, familiares, amigos e todos aqueles que encontraram nele um homem simples, generoso e profundamente apaixonado pela missão.
Um caminho missionário
Natural de Montelo, Fátima, terra profundamente marcada pela presença de Nossa Senhora, onde nasceu no dia 11 de agosto de 1933, com 72 anos de profissão religiosa, o Irmão António respondeu generosamente ao chamamento de Deus e abraçou a vocação missionária nos Missionários da Consolata. Ao longo da sua vida exerceu a sua missão em Moçambique, no Zaire (atual República Democrática do Congo) e em Portugal, deixando em todos os lugares a marca da disponibilidade e do serviço.
«Se morremos com Cristo, também viveremos com Ele» (2 Tim 2,11).
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