Liturgia do 27º Domingo Comum – Ano A

4 de outubro 2026
Is 3, 1-7; Fil 4, 6-9; Mt 21, 33-43

 

Somos a vinha que o Pai cultiva
1. Diz-nos a liturgia deste 27º domingo que Deus é um Pai que nos ama, cuida de nós, interessa-se continuamente por nós. Como o agricultor cuida amorosamente da sua vinha. “Vós sois a agricultura de Deus”, dirá S. Paulo. O amor de Deus por nós é um amor gratuito. Ama-nos mesmo que recusemos o seu amor ou não demos importância à sua presença, à sua Palavra, aos seus mandamentos. É um Deus de tal modo apaixonado pela humanidade que lhe entregou o próprio Filho, crucificado e morto pelos vinhateiros.
Todos fazemos parte desta Igreja, a vinha do Senhor, que Jesus plantou com tanto esmero e que depois confiou a todos os homens para que nela produzissem frutos de salvação. Para realizar tal projeto serve-se de cada um de nós, trabalhadores da sua vinha. Tudo o que recebemos: vida, batismo, fé, saúde, inteligência, tudo deve ser posto ao serviço do Reino de Deus. Sempre, mas sobretudo neste mês missionário.

 

2. Censura aos líderes judaicos – No Evangelho deste domingo, Jesus censura fortemente os líderes judaicos que em seu benefício se apropriaram da “vinha de Deus” e se recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Foram vários os enviados por Deus para receber os frutos. Por fim, num ato de amor extremo, mandou o próprio Filho. Mas os vinhateiros, “agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no”.
Jesus anuncia que a “vinha”, pela qual tanto fez, vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera.
Deus não tolera uma “vinha” que produza “sangue derramado” e “gritos de horror”. É o “sangue derramado” das vítimas da violência e do terrorismo, das guerras religiosas e de todos os sistemas que geram morte e sofrimento que marcaram e continuam a marcar a história da humanidade. Os “gritos de horror” de tantos homens e mulheres privados dos direitos mais elementares, marginalizados e excluídos, continuam a escutar-se na Europa, na Ásia, na África, nas Américas…

 

3. Um aviso importante para este Outubro Missionário -“Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos”. A história da missão da Igreja no mundo registou ao longo dos séculos tantas comunidades que desapareceram. Vejam-se as comunidades cristãs do Norte da África e da Ásia, das quais hoje só possuímos os nomes. Outras ainda, na Europa sobretudo, mostram sinais de cansaço e pouco fruto. Outras, felizmente, foram surgindo noutros continentes, abriram-se ao Evangelho e continuam a dar frutos.
É certo que, se os povos se fecharem em si mesmos, mais cedo ou mais tarde desaparecerão. Mas se se abrirem a uma dinâmica missionária e se dispuserem a testemunhar a própria fé, os frutos hão de surgir e crescer. É o respiro missionário que renova a fé e a vida cristã de toda a Igreja. “De facto, a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A evangelização missionária constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje” (RM 2).
Que o mês missionário, celebrado em todo o mês de outubro, contribua para revigorar a nossa fé e a nossa responsabilidade na evangelização do mundo, para que possamos dar os frutos que Deus espera de nós.

 

Darci Vilarinho

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