Canonização de Allamano já tem data: 20 de outubro 2024

O Papa Francisco anunciou que a canonização do beato José Allamano, fundador de dois institutos missionários ad gentes – os Missionários e as Missionarias da Consolata -, terá lugar no dia 20 de outubro de 2024 – Dia Mundial das Missões, em Roma. A decisão foi tomada, e depois anunciada, após um consistório (reunião de cardeais) público ordinário, que decorreu na manhã de segunda-feira, 1 de julho, no Vaticano.

 

O Papa vai presidir a 20 de outubro, Dia Mundial das Missões 2024, à canonização do Beato Allamano, juntamente com 13 novos santos da Igreja Católica, anunciou o Vaticano esta segunda-feira, 1 de julho. Este é, sem dúvida, um momento muito significativo para a família missionária da Consolata, composta por padres, irmãos, irmãs, leigos e leigas.

 

MENSAGEM DOS SUPERIORES GERAIS DA CONSOLATA

Mal foi conhecida a alegre notícia, o superior geral dos Missionários da Consolata (IMC), padre James Lengarin, e a superiora geral das Missionárias da Consolata (MC), irmã Lúcia Bortolomasi (MC), numa mensagem conjunta enviada a toda a Família Consolata, escreveram:

 

“A sua canonização é para todos nós um dom imenso que nos convida a escutá-lo, a tirar sempre mais proveito da riqueza da sua santidade. Que os nossos olhos e os nossos corações estejam fixos no nosso Fundador para o escutar e olhar a sua santidade, que nos estimula a continuar a sua missão de modo sério e profundo”.

 

E olhando já no horizonte do dia 20 de outubro, data da canonização, convocam toda a grande Família Conslata a uma preparação espiritual “intensa”:

 

“Queremos viver estes dias de espera que nos separam do dia em que o proclamaremos Santo com uma intensa preparação espiritual, para que este momento de graça para os dois Institutos e para toda a Igreja seja uma oportunidade de nos renovarmos na graça carismática.”

 

Citam em seguida Allamano, o Fundador – que a todos chamava á santidade de vida -, reconhecendo o grande dom que é para todos a sua canonização: 

 

“A sua canonização é para todos nós um dom imenso, que nos convida a escutá-lo e a beber sempre mais da riqueza da sua santidade. «Eis, meus queridos, a santidade que desejo de vós: não milagres, mas fazer tudo bem feito. Tornai-nos santos no quotidiano. O Senhor, que inspirou esta fundação, inspirou também as suas práticas, os meios de adquirir a perfeição e de nos tornar santos. Se Ele quiser elevar-nos a outras alturas, fá-lo-á, não nos perturbemos».”

 

A CAMINHO DA CANONIZAÇÃO

O tempo urge, e os superiores anunciam que já foi decidido organizar uma comissão, composta por membros dos dois Institutos para ajudar as duas direções gerais IMC e MC na preparação deste evento. E deixam um desejo, que é também um desafio:

 

“Que os nossos olhos e os nossos corações estejam fixos no nosso Fundador para o escutar e olhar a sua santidade que nos estimula a continuar a sua missão de forma séria e profunda.”

 

E finalizam a sua mensagem em jeito de oração:

“Que o Fundador nos guie a ter horizontes amplos, atentos às grandes questões de hoje, e continue do céu a abençoar-nos: “Coragem Fundador”. Que do céu nos abençoe: «Coragem para tudo no Senhor; com a mente e o coração voltados para o único objetivo de vos tornar santos e salvar o maior número de almas. Abençoo-vos a todos».”

 

O MILAGRE QUE ABRIU PORTAS À CANONIZAÇÃO

Na mensagem divulgada, os superiores gerais dos Missionários e das Missionárias da Consolata recordam ainda as várias etapas do caminho que nos levou até este dia tão esperado: 

 

– A 7 de outubro de 1990, São João Paulo II declarou “Beato” o sacerdote turinense José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata.

 

– Atribui-se à intercessão de Allamano a cura milagrosa do indígena SORINO YANOMAMI que, no dia 7 de fevereiro de 1996 (era o primeiro dia da novena do Beato Allamano), atacado por um jaguar na floresta amazónica de Roraima (Brasil). Foi levado ao hospital de Boa Vista e cuidado pelas Irmãs Missionárias da Consolata, que não cessaram de rezar pela sua recuperação por intercessão do Fundador. Apesar de uma grande hemorragia e de múltiplos e graves ferimentos no cérebro, Sorino não só sobreviveu ao acidente fatal, mas também pôde retomar a sua vida normal, sem quaisquer consequências do trauma sofrido. Recuperou milagrosamente a saúde em poucos meses e hoje continua a viver na sua comunidade indígena.

 

– A investigação diocesana para o estudo do alegado milagre teve lugar em março de 2021, em Boa Vista, enquanto o processo do Dicastério para as Causas dos Santos terminou a 23 de maio de 2024, com a aprovação do decreto de reconhecimento do milagre.

 

– O caso desta recuperação foi estudado e verificado no Inquérito Diocesano de Boa Vista (Roraima, BR), instaurado na Diocese de Roraima, Brasil, de 7 a 14 de março de 2021, realizado em 20 sessões, nas quais foram ouvidas 14 testemunhas e 2 peritos médicos ab inspectione.

 

– Tendo sido reconhecida a validade da Inquirição pelo Dicastério para as Causas dos Santos, com o decreto de 23 de junho de 2021, o exame do caso foi conferido ex officio ao Prof. Gandolfini, especialista em Neurocirurgia e Psiquiatria, e à Dra. Maria Grazia Marciani, especialista em Neurologia.

 

– Na conclusão dos seus relatórios, o Prof. Gandolfini declarou que “não era cientificamente explicável que as funções de trabalho e de vida do paciente fossem completamente restauradas ao normal”; enquanto a professora Maria Grazia Marciani considerou o caso do Sr. Sorino Yanomami “adequado para uma avaliação colegial com vista a uma “restitutio ad integrum’, global e duradoura, que não pode ser explicada a nível científico”.

 

– A análise dos dois peritos foi validada pelos peritos do Conselho Médico do Dicastério para as Causas dos Santos, a 14 de setembro de 2023, que que, por unanimidade, deram um parecer favorável, considerando o facto cientificamente inexplicável.

 

– No dia 5 de março de 2024, às 15h30, o Congresso Peculiar do Dicastério para as Causas dos Santos, presidido – de acordo com o seu Regulamento – por Annarita Ragni, como Atuária, e com os consultores teológicos previstos, reuniu-se para examinar o milagre atribuído à intercessão do Beato Giuseppe Allamano, Fundador do Instituto Missionário da Consolata (1851-1926), que considerou o caso em questão uma alegada recuperação milagrosa de uma “vasta ferida crânio-encefálica fronto-temporo-parietal esquerda com perda de couro cabeludo, calota craniana, massa encefálica e presença de muitos detritos, na sequência de um ataque de uma onça pintada”, ocorrida no Brasil, em 1996.

 

– No dia 21 de maio de 2024 a Causa foi submetida à análise dos cardeais e bispos do Dicastério para as Causas dos Santos para pedir a verificação da relação causal entre a invocação de intercessão do Beato e a verificação da relação de causalidade entre a invocação de intercessão do Beato e a cura dos curados.

 

– No dia 21 de maio de 2024, no final do debate, os cardeais, membros do Congresso, fizeram votos de que o Beato José Allamano possa alcançar em breve, se for do agrado do Santo Padre, o desejado objetivo da Canonização.

– No dia 23 de maio de 2024, o Papa Francisco autorizou o Cardeal Marcello Semeraro a publicação do Decreto de aprovação do Milagre de Sorino Yanomami atribuído ao Beato Giuseppe Allamano.

 

– A 1 de julho de 2024, no Consistório Ordinário Público, o Papa Francisco decretou para 20 outubro de 2024

– Dia Mundial das Missões – a sua canonização.

 

Um longo caminho percorrido até à data e que agora nos conduz à CANONIZAÇÃO do nosso Fundador. E uma oportunidade para agradecer a todos aqueles que deram o seu tempo e esforço para que pudéssemos celebrar esta grande festa, de modo especial à Irmã Renata Conti e ao Padre Giacomo Mazzotti, que acompanham atualmente a postulação, e manifestam especial alegria pelo anúncio da canonização do Beato Allamano.

 

OUTRAS CANONIZAÇÕES

Allamano vai ter ‘companhia’ no dia em que será proclamado santo, a 20 de outubro próximo. No consistório público ordinário, que decorreu esta segunda-feira no Vaticano, o Papa decidiu pela canonização de 14 novos santos:

 

Os futuros santos são Manuel Ruiz Lopez e sete companheiros, da Ordem dos Frades Menores, e Francisco, Mooti e Raphael Massabki, leigos, todos mortos por “ódio à fé” em Damasco (Síria) entre 9 e 10 de julho de 1860; José Allamano, sacerdote, fundador do Instituto dos Missionários da Consolata e das Irmãs Missionárias da Consolata; Marie-Leonie Paradis (nascida Virginie Alodie), fundadora da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família; e Helena Guerra, fundadora da Congregação das Oblatas do Espírito Santo, conhecidas como as “Irmãs de Santa Zita”.

Albino Brás, imc