Liturgia do 24º Domingo Comum – Ano A

13 de setembro de 2026
Sir 27, 30-28, 7; Rom 14, 7-9; Mat 18, 21-30

 

“Se não sabes perdoar, não és cristão”
A Palavra de Deus da liturgia do 24º domingo do tempo comum fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado. Fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Somos convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixar que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a nossa relação com os irmãos.

 

1. O nosso mundo considera que perdoar é próprio dos fracos, dos vencidos, dos que desistem de impor a sua personalidade, mas Deus considera que perdoar é dos fortes, dos que sabem o que é verdadeiramente importante, dos que estão dispostos a renunciar ao seu orgulho e autossuficiência para apostar num mundo novo, marcado por relações novas e verdadeiras entre os homens. Na verdade, a lógica do mundo só tem aumentado a espiral de violência, de injustiça, de morte; a lógica de Deus tem ajudado a mudar os corações e frutificado em gestos de amor, de partilha, de diálogo e de comunhão. Perdoar significa estar sempre disposto a ir ao encontro dos outros, estender a mão, recomeçar o diálogo, dar outra oportunidade.

 

2. Vivemos num mundo de ódios e guerras, onde falta a lógica do perdão.
Dizia recentemente o Papa Leão: “Oferecer a outra face — dizem por aí — é coisa de perdedores; ceder diante da rejeição é para os ingénuos; perdoar sem limites é para os fracos. Não é de estranhar. Até mesmo para Pedro foi difícil aceitar essa maneira de pensar nova e diferente. No entanto, Jesus permanece categórico: somente o caminho do amor é o caminho da vida.”
E continua o Papa Leão: “Não nos iludamos. O ódio e a violência não trazem nada de bom, mas apenas destruição e morte; isso é sempre verdade, mesmo quando são uma resposta a injustiças sofridas. Precisamos tanto de vida, esperança, serenidade e paz — dentro de nós mesmos, nas nossas cidades e entre os povos e nações. Portanto, qualquer que seja a ferida, qualquer que seja a ofensa — exorta o Papa —, não permitamos que o mal desfigure a nossa humanidade ou corrompa os nossos corações! Não nos conformemos com a mentalidade do mundo. Continuemos a amar, a doar e a perdoar.”

 

Recordemos o que dizia o saudoso Papa Francisco: “O Senhor é um Pai tão misericordioso que sempre nos perdoa, sempre quer fazer as pazes connosco. Mas se tu não és misericordioso corres o risco de que o Senhor não seja misericordioso contigo, porque seremos julgados com a mesma medida com a qual nós julgamos os outros”.

 

Darci Vilarinho

Deixe a sua opinião

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.