Liturgia da Solenidade de Pentecostes – Ano B

19 de maio 2024
At 2, 1-11; 1Cor 12, 3-13; Jo 20, 19-23

 

O sopro de Deus
1. “Pai, no nome de Jesus, dá-nos o Espírito Santo”: foi assim que anos atrás me ensinaram a rezar, como resposta à Palavra de Jesus que inculcava nos Apóstolos essa necessidade. E foi assim que pouco a pouco o mesmo Espírito Santo me ensinou qual o seu lugar na minha vida, na minha missão e na missão de toda a Igreja. Nunca é demais refletir sobre esse “vento impetuoso” que sacudiu e transformou para sempre os Apóstolos. Transformou e transforma. O Pentecostes é uma realidade permanente. Um eterno movimento do amor de Deus que se derrama nos nossos corações, uma fonte inesgotável de vida e de calor. “Todos ficaram cheios de Espírito Santo e começaram a falar”. Com quem? Com Deus, antes de mais. Fala-se com Deus de um modo inesperadamente novo, porque o Espírito muda o coração e realiza uma nova relação de familiaridade com Deus. Para escutar e para rezar. E fala-se de um modo novo com os outros, porque o Espírito Santo transforma as relações entre as pessoas, ensinando essa única linguagem que todos entendem: a linguagem do amor.

 

2. O sopro de Deus – O Espírito é precisamente o “sopro de Deus”, o respiro de Cristo. É por meio d’Ele que o Pai e o Filho “respiram” em mim, vivem e amam em mim. “Interroga o teu íntimo: Se estiver cheio de amor, tens o Espírito de Deus”, afiança-nos S. Agostinho. É Ele que pode fazer de cada um de nós um enamorado de Deus. E de um grupo de irmãos que têm dificuldade em encontrar-se ou incapacidade de amar-se, Ele pode fazer uma só família, unida num só coração. É Ele o regista secreto do nosso encontro com Cristo e o tecelão das nossas relações com Deus e com os irmãos. É o artífice da unidade da Igreja na variedade dos dons que cada um recebe para a utilidade comum, e é a “luz dos corações” que nos faz penetrar e saborear a Palavra de Jesus. É Ele que cria, renova e sustém a fé em Jesus tornando-a profissão intrépida e entusiasta.

 

3. É comunhão e missão – Sendo o abraço entre o Pai e o Filho, é também o Amor que os faz sair de si mesmos para ir ao encontro dos outros. Se nos une a Deus e entre nós, abre-nos também à comunhão com a humanidade e faz-nos solidários e atentos ao mundo inteiro. É comunhão e é missão. É a fonte escondida de todo o bem que por toda a parte floresce e é desejo insaciável de procura da verdade. “Tudo o que é verdadeiro, venha ele de onde vier, provém do Espírito Santo”, dizia S. Tomás de Aquino. Não existe situação do mundo que o Espírito não possa transformar. Pode mudar o deserto em jardim florido, e a terra árida em mina de água fresca. É o Espírito renovador que vem recompor a face da terra. É a alma que dá vida à Igreja. É o fogo divino que incendeia o coração dos apóstolos e os torna destemidos anunciadores de Jesus ressuscitado. É Ele que dilata hoje o coração da Igreja e a torna fonte de comunhão entre os seus membros. É presença amiga e brisa consoladora e é fogo abrasador que incendeia corações.

 

4. Uma nova relação – Vou nesta semana construir uma nova relação com o Espírito Santo, invocando-o com frequência e familiarizando-me cada vez mais com a sua presença. Não só como “hóspede divino”, mas como dono e Senhor do meu coração. Vou estar atento à sua voz subtil, mas constante, para entender melhor a Palavra de Jesus e para o deixar agir dentro e fora de mim. Vou pedir-lhe que me ensine a rezar e que reavive o ardor apostólico em mim e nos cristãos do nosso tempo para que ponham as suas vidas ao serviço do Reino e por toda a parte germinem as sementes da fé.

 

Darci Vilarinho