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Desafios e oportunidades na missão

Revitalização e reestruturação foram duas palavras-chave no XIII Capítulo Geral dos Missionários da Consolata que, ao mesmo tempo, reafirmou o caminho da continentalidade para requalificar a missão

Luzes e sombras fazem parte da história da evangelização no Continente americano, em especial na América Latina. Hoje, o contexto sociopolítico, cultural e eclesial coloca em evidência alguns desafios e oportunidades para a desejada revitalização e a reestruturação das nossas presenças e opções missionárias no Continente.

Ao falar da contextualização da missão, o XIII Capítulo Geral (2017) convidou a colocar-nos “em estado profundo de conversão”. Afirmou, “não é possível continuar com os mesmos esquemas e realidades do passado: para vinho novo, são necessários odres novos” (XIII CG 152). Deixou claro também, que “revitalização e reestruturação são duas faces da mesma medalha”, “integram-se e complementam-se reciprocamente”, e que esse processo “deve ter um efeito direto nas presenças, nas atividades e na organização do Instituto” (XIII CG 153 e 154).

No caminho de continentalidade somos guiados pelo Projeto Missionário Continental (PMC América) elaborado à luz do Capítulo. Nossas opções e serviços se concretizam nos planos aprovados nas conferências das diversas circunscrições feitos missão concreta na vida das comunidades IMC inseridas na realidade.

Observando a caminhada do Instituto no Continente América podemos destacar desafios e oportunidades que se devidamente entendidas e assumidas qualificam a missão.

1. A sinodalidade (caminhar juntos) como metodologia e estilo de missão
O amor de Cristo nos uniu e nos enviou como seus discípulos para testemunhar a alegria do Evangelho. Na missão da Igreja, caminhamos juntos numa dinâmica sinodal. “A sinodalidade indica a forma específica de viver e trabalhar da Igreja, o Povo de Deus, que se manifesta e realiza concretamente a sua comunhão no caminhar juntos, na reunião em assembleia e na participação ativa de todos os seus membros na sua missão evangelizadora” (Comissão Teológica, Sinodalidade na Vida e Missão da Igreja, 6).

O documento preparatório para a Consulta Intercapitular (8 a 14 de março 2021) destacava que “o termo sinodalidade indica um processo e uma forma de viver a Igreja, de conduzir e animar a Vida Consagrada”. O Sínodo é o caminho que todos devem fazer juntos, é a expressão da fraternidade, a forma mais visível de comunhão na diversidade. Além disso, sinodalidade significa convergir em conjunto, mover-se em sintonia, cada um fazendo a sua parte na comunidade e para a comunidade.

A sinodalidade contribui para a construção de uma Congregação de irmãos que caminham, decidem e trabalham juntos no respeito e valorização da diversidade. Estamos inseridos numa Igreja local e nela caminhamos juntos, com os agentes das comunidades, os leigos, os grupos, os ministérios, as pastorais e movimentos.

Que oportunidade a sinodalidade nos oferece para avançarmos no caminho da continentalidade entre nós e com os outros?

2. A realidade e os povos com as suas culturas determinam o nosso estilo de missão
Este é um segundo desafio para o Instituto. A partir do momento em que entramos na realidade da missão nos encontramos com povos e culturas, entramos em contato com seus gritos e esperanças.

Neste sentido, as palavras dos Padres conciliares são inspiradoras: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (GS 1).

Chegamos no Continente americano como discípulos missionários de diferentes países com a nossa própria história e condicionamentos socioculturais. Estamos conscientes de sermos hóspedes na “casa” do outro. Os donos do lugar são os que nos recebem (na sua alteridade e realidade) com os seus anseios e preocupações. O mínimo que se espera de nós é um esforço para mergulhar na realidade dispostos ao processo de inserção – encarnação que implica morte e ressurreição. Este encontro sagrado exige uma conversão integral que nos permita escutar e respeitar. Somos continuamente desafiados a ultrapassar as práticas colonizadoras da missão para dar lugar aos verdadeiros protagonistas: os povos com sua história e culturas.

Somos provenientes de diferentes países e culturas. Portanto, além da inculturação, devemos ter presente também, a interculturalidade, a comunhão com a Igreja local e o compromisso com as nossas opções continentais: Amazônia, Povos Indígenas, Pastoral Afro, Pastoral Urbana, Periferias Existenciais e Migrantes. A história nos ensina que não convém implantar modelos de evangelização trazidos de fora.

O Sínodo para a Amazônia (outubro de 2019) fez um forte apelo para ouvir tanto o “grito dos pobres quanto o grito da Terra”. Isso mostra que, os temas de Justiça, Paz e Integridade da Criação são elementos constitutivos da missão.

Nesse sentido, recordamos as palavras do Superior Geral, Padre Stefano Camerlengo, na conclusão da Conferência IMC-MC sobre missão (Roma, outubro de 2019), que nos incentiva a “mudar o nosso ponto de vista para ver e compreender a realidade, e lê-la com os olhos dos pobres”. A solidariedade não pode limitar-se à ajuda imediata aos pobres, por mais necessária que sejam, mas deve ser transformada na luta contra as causas da pobreza através da partilha, do estar juntos. Nós Missionários da Consolata somos convidados a “viver a nossa missão em fraternidade com os mais pobres, partilhando com eles a nossa vida diária e o Evangelho com a convicção de que um outro mundo é possível se todos nos tornarmos corresponsáveis pela construção do Reino de Deus nesta terra”.

A realidade e o povo com as suas características culturais, estão presentes nas nossas práticas pastorais e no nosso estilo de missão?

A nossa missão considera a opção pelos pobres e os temas de Justiça, Paz e Integridade da Criação?

Padre Jaime C. Patias, IMC, Conselheiro Geral para América