Paulo VI e Óscar Romero
12/10/2018
O dia 14 de outubro deste ano fica marcado pela canonização de duas grandes figuras da Igreja: o Papa Paulo VI e o arcebispo Óscar Romero. Beatificados pelo Papa Francisco (Paulo VI em 2014 e Romero em 2015), vão ser agora declarados Santos, juntamente com outros três beatos

Paulo VI liderou a Igreja Católica entre 1963 e 1978, dando seguimento ao Concílio Vaticano II, após a morte do seu antecessor, o Papa São João XXIII, que tivera a iniciativa de convocar aquela assembleia magna da Igreja. Paulo VI é considerado o grande responsável pelas reformas introduzidas na Igreja por aquele Concílio.

Conhecido também como o Papa Peregrino, Paulo VI foi o primeiro Pontífice da Igreja Católica a visitar os cinco continentes, expressão da sua dimensão missionária.

Óscar Romero, nasceu em El Salvador, em 1917, foi ordenado sacerdote em 1942 e em 1977 Paulo VI designa-o arcebispo de San Salvador, no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas. O assassinado do padre jesuíta Rutílio Grande é considerado o momento da ‘conversão’ de Romero, que passa então a denunciar a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os setores político-militares e económicos, apoiada pelos EUA.

Na homília do Sábado de Aleluia, (1979), Romero afirmava: “Graças a Deus, temos páginas do martírio não somente na história do passado, como também na hora presente. Há sacerdotes, religiosos, catequistas, homens humildes do campo assassinados (…), foram perseguidos por serem fiéis ao único Deus e Senhor”. E acrescentava: "Tenho sido frequentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhes que como cristão não creio na morte sem ressurreição. Se me matam, ressuscitarei no meu povo salvadorenho. Como pastor, estou obrigado a dar a vida por quem amo, que são todos os salvadorenhos, como também aqueles que vão me matar. Se chegarem a cumprir as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador".

Óscar Romero foi assassinado enquanto celebrava missa, em 24 de março de 1980. Foi morto por defender os pobres e “por ódio à fé” a mando da junta militar que dominava o país.

Paulo VI e Óscar Romero: duas formas diferentes de discipulado e de serviço à Igreja de Jesus Cristo. Agora, santos e intercessores.

Jaime C. Patias, Conselheiro Geral do Instituto Missões Consolata