Missionária da Consolata beatificada em maio
01/02/2018
O Papa Francisco autorizou a beatificação da irmã Leonella Sgorbati, missionária da Consolata italiana, que deu a vida ao serviço dos mais desfavorecidos e foi assassinada em Mogadíscio, na Somália, em 2006, invocando o perdão para os seus assassinos

A beatificação desta missionária e mártir vai ter lugar no dia 26 de maio de 2018, na diocese de Placência (Itália), de onde era originária. A notícia acaba de ser comunicada aos membros da Família Consolata (padres, irmãos, irmãs e leigos e grupos vários) numa carta assinada em conjunto pela irmã Simona Brambilla, Superiora Geral da Missionárias da Consolata (MC), e pelo padre Stefano Camerlengo, Superior Geral dos Missionários da Consolata (IMC).

Na missiva, ambos manifestam «profunda alegria» pelo «belíssimo dom» e fazem memória das palavras do Papa Francisco quando, durante a audiência privada de 5 de junho de 2017, se dirigiu aos Capitulares das MC e do IMC: «A história dos vossos Institutos, feita - como em cada família - de alegrias e tristezas, de luzes e sombras, foi marcada e fecundada, também nestes últimos anos, pela Cruz de Cristo. Como não recordar os vossos missionários e missionárias que amaram o Evangelho da caridade mais do que eles mesmos e que coroaram o serviço missionário com o sacrifício da própria vida? A sua opção evangélica sem reservas ilumine o vosso compromisso missionário e seja de encorajamento para todos e todas a continuar com generosidade renovada na vossa missão particular na Igreja».

Os superiores gerais destes dois institutos missionários - que partilham o mesmo fundador, o beato José Allamano - veem nestas palavras do Papa, a clareza e a confirmação de que «o martírio da irmã Leonella é um dom precioso para a nossa família e para a Igreja».

Um «tempo favorável»
Referindo-se à irmã que agora já tem data para a sua beatificação, escrevem: «As suas últimas palavras são o testamento de uma vida doada até ao fim. A irmã Leonella soube discernir a voz do Espírito, acolher o `Dom Pascal´ que lhe foi oferecido, e vivê-lo com intensidade e paixão, individual e comunitariamente até o fim, pela vinda do Reino de Deus, Reino de paz, justiça e fraternidade. Ela escreveu no seu diário: `O meu partir para a Somália é a resposta a um chamamento: Tu, Pai, tanto amaste a Somália, até à doação do teu próprio Filho ... e eu digo a Ele: este é o meu corpo, esse é o meu sangue doado para a salvação de todos´. E continua: `A missão na Somália é o que Tu me pedes agora. Eu dou-Te a minha vida em tudo e por tudo como Tu queiras ... Chama-me para Te amar, para amar as irmãs, as gentes, os irmãos do Islão... Toma conta de mim, Senhor, e ama através de mim ... que eu possa ser uma só coisa em Ti e Tu possas dar a alegria de todos se sentirem amados por Ti».

A irmã Simonna e o padre Stefano lançam agora um convite especial aos ramos feminino e masculino da Consolata para que vivam este momento de preparação para a beatificação «como um `tempo favorável´ para redescobrir a beleza e a bondade do nosso carisma e nos relançarmos com entusiasmo nos caminhos da missão, hoje».

Albino Brás