Liturgia do 4º Domingo da Quaresma – Ano B
11/03/2018
Um amor incomensurável

2 Cro 36, 14-23; Ef 2, 4-10; Jo 3, 14-21
 
O grande amor de Deus por nós… Estranha palavra de Jesus que se refere a uma também estranha história de serpente de bronze erguida por Moisés no deserto! As serpentes mordiam os Hebreus na sua travessia do deserto. Então, Deus diz a Moisés para fazer uma serpente de bronze. Olhando-a, os Hebreus eram salvos da morte. Um remédio por assim dizer “homeopático”! Mas diz-nos Jesus que «a minha morte vai tornar-se o remédio que vos salvará da vossa morte». Como? Porque o Pai depositou em Jesus a plenitude do seu amor: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu único Filho»

Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único”. É a chave de leitura que a Palavra de Deus do 4º Domingo da Quaresma nos oferece para entender o mistério da Páscoa de Jesus, que já se aproxima. O amor misericordioso de Deus pelo mundo é a chave para entendermos o projeto de salvação do nosso Deus. Deus ama o nosso mundo com um amor infinito. Deus ama cada uma das pessoas deste mundo com um amor imenso. Isto enche-nos de esperança e otimismo, porque não é a morte, o pecado, o mal que têm a última palavra. A última palavra é o amor de Deus. “Sobre o pecado e sobre o mal do nosso mundo refulge sempre a luz do amor de Deus” (F. Mauriac).

João Paulo II não tinha dúvidas sobre esta verdade da nossa fé, quando afirmava: “Crer no Filho crucificado significa «ver o Pai», significa crer que o amor está presente no mundo e que o amor é mais forte do que toda a espécie de mal em que o homem, a humanidade e o mundo estão envolvidos. Crer neste amor significa acreditar na misericórdia. Esta é, de facto, a dimensão indispensável do amor, é como que o seu segundo nome” (DM, 7).

S. Paulo, na segunda leitura deste Domingo, dá-nos a confirmação de que esta misericórdia de Deus é um dom oferecido a toda a humanidade. “Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida em Cristo. (…) É pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus”.

O crucificado, que está diante de nós e dentro de nós, é o tesouro que nos é oferecido. Como é que podemos entrar nele? É o próprio Evangelho que nos oferece a chave: “Acolher a luz”. Quer dizer: acreditar em Jesus e fazer aquilo que Ele nos diz e aquilo que Ele fez. Se recuso essa chave, se rejeito o amor de Deus, corro o risco de ficar de fora, às escuras, não permitindo que a luz de Cristo ilumine a minha vida. De Jesus crucificado brota uma luz intensa que pode iluminar toda a minha vida e pôr ordem onde ela não existe. “Basta um olhar para o Crucifixo para pôr ordem na nossa vida”, dizia o Beato José Allamano. Que Jesus purifique a nossa fé, ilumine o nosso olhar e nos dê o seu Espírito para que, contemplando-O, possamos amá-lo de todo o coração. Olho para Ele, vivo dele e com Ele. Deixo-me guiar pelas suas palavras para que a minha vida, unida à sua, produza obras de salvação para o mundo inteiro.

Darci Vilarinho