Liturgia do 4º Domingo da Páscoa – Ano C
09/05/2019
A vocação de Pastor

Act13, 14-52; Ap 7, 9-17; Jo 10, 27-30

O Cordeiro pascal transformou-se em Pastor. Pela sua morte e ressurreição conquistou para Si um rebanho, que Ele conduz para as pastagens eternas. De ovelhas desgarradas tornou-nos comunidade de pessoas, que conhecem e seguem a sua voz. Que sorte a nossa, poder ouvir a sua voz, sermos chamados pelo nosso nome e experimentarmos a sua predilecção.

A figura do pastor era muito familiar na tradição de Israel. Moisés, Saúl, David e outros chefes tinham sido pastores. O povo gostava de imaginar o seu Deus como um “pastor” que cuida do seu povo, o alimenta e defende.
Com o tempo, o termo “pastor” começou a utilizar-se para designar também os chefes do povo. Só que estes não se pareciam de maneira nenhuma com Deus. Não sabiam cuidar do povo nem velar pelas pessoas, como Ele fazia. “Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos”, lê-se no profeta Ezequiel, como crítica aos dirigentes do seu tempo. Incapazes de se colocarem ao serviço das ovelhas, aproveitam-se delas para consumo próprio. Ontem e hoje.

Jesus actuou de maneira diferente: só por amor. Entregou totalmente e gratuitamente a sua vida pelo bem do rebanho. Cuidou de todos, mas sobretudo dos mais fracos, doentes e feridos. Só por amor. Não agiu como um chefe que se preocupa em orientar, governar ou controlar. Mas como alguém que dá a vida, cura e perdoa. Entregou-se totalmente, até se deixar crucificar pelas suas ovelhas.

Hoje é dia de oração pelas vocações de especial consagração. Como há dois mil anos, Jesus busca pastores para o seu povo. Todos sabemos que a diminuição do número de sacerdotes é uma das grandes preocupações da Igreja Católica: no último quarto de século, perante uma população mundial que passou de 4,2 mil milhões para cerca de 7 mil milhões de pessoas, os padres passaram de 421 mil para 406 mil: uma redução estatística de 3,5%, ainda mais drástica quando confrontada com a explosão demográfica.

“Elemento fundamental e comprovado de toda a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada – dizia Bento XVI - é a amizade com Cristo. Jesus vivia em constante união com o Pai, e isto suscitava nos discípulos o desejo de viverem a mesma experiência, aprendendo d’Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o «homem de Deus», que pertence a Deus e ajuda a conhecê-lo e a amá-lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações. Tal como o apóstolo André comunica ao irmão que conheceu o Mestre, assim também quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-lo «visto» pessoalmente, deve tê-lo conhecido, deve ter aprendido a amá-lo e a permanecer com Ele”. Creio que o Papa Francisco não diria outra coisa.
É este certamente o melhor testemunho para o nosso mundo: a santidade, o ardor apostólico e a plena doação dos sacerdotes e demais consagrados a uma causa como esta. Infelizmente, nem sempre os ministros da Igreja pautaram as suas vidas pela vida do seu Bom Pastor e os maus exemplos de alguns falam por vezes mais alto do que a vida digna e dedicada da maioria. Que o Bom Pastor conceda à sua Igreja pastores santos e dedicados que continuem no mundo a sua obra de bem-fazer.

Darci Vilarinho