Liturgia do 31º Domingo Comum - Ano A
05/11/2017
Palavras leva-as o vento

Mal 1, 14-2;2.8-10;
1 Tes 2, 7-9;
Mt 23, 1-12

«Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem”, alerta-nos Jesus no Evangelho deste 31º Domingo. Evangelho que nos oferece três regras para viver com verdade a nossa vida: o agir escondido em vez do aparecer, a simplicidade no lugar da duplicidade, o serviço em vez do poder. Disse Jesus que o maior mandamento é este: “Tu amarás”. Queres ser grande? À imitação de Jesus, traduz o amor na divina loucura do serviço: “o maior entre vós seja vosso servo”.

Infelizmente todos bebemos da água suja do dizer sem fazer. Quantos propósitos de emenda! Quantas promessas de bem-fazer! Quantas incoerências na nossa vida! E quantas coisas fazemos só para ser vistos e louvados pelos outros... Não é este o caminho que Jesus nos traçou. Há que dar uma guinada na nossa vida, seguindo o rumo que o nosso Mestre nos aponta. Com coerência, humildade e fidelidade.
Jesus alerta-nos para a tentação de querermos mostrar o que não somos, de vendermos uma imagem corrigida e aumentada de nós próprios, de procurarmos o aplauso e a admiração dos outros, de vivermos para as aparências e não para o compromisso simples e humilde com o Evangelho. A mentira e a incoerência nunca levam a lado nenhum. Destroem a paz do nosso coração e comprometem o nosso testemunho.

S. Paulo, de cujo estilo de vida temos alguns traços na segunda leitura deste Domingo, foi uma pessoa coerente com a Palavra de Jesus, anunciando-a com a palavra, mas sobretudo com a vida. Homem íntegro, pedia aos cristãos das suas comunidades que a linguagem deles não fosse ora sim ora não, mas sempre sim, como Jesus, na fidelidade e coerência com a própria fé. Não se ficou pelas palavras, mas partilhou a sua vida com os seus cristãos, tal como faria uma mãe: “Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar, assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejaríamos partilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida”. É o auto-retrato de São Paulo. Mas pode ser também o retrato de qualquer missionário que põe a sua fé e toda a sua vida ao serviço de Deus e do homem. “Nós missionários temos o dever de dar a vida pela salvação da humanidade. Amar o próximo mais do que a nós mesmos deve ser o programa de vida do missionário”, proclamava o Beato José Allamano. À imagem do Mestre, que veio para servir e não para ser servido. E à imagem de São Paulo que se fazia “tudo a todos para ganhar alguns” ao Evangelho de Cristo.

Darci Vilarinho