Liturgia do 28º Domingo Comum – Ano A
15/10/2017
Um banquete para todos os povos

Is 25, 6-10; Fil 4, 12-14.19-20; Mt 22, 1-14

“Sobre este monte, o Senhor do universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos...” (Isaías).
É uma das imagens mais fascinantes do Reino de Deus: uma grande festa de núpcias para a qual todos estão convidados. É o próprio Filho de Deus que desposa a nossa humanidade, unindo-a a si para um destino de intimidade com a Trindade Santíssima. A história mais bela do mundo é uma história que começa assim: Era uma vez um Deus muito feliz. Tão feliz que quis partilhar com outros a sua felicidade. Vivia de amor. Eram três Pessoas que se amavam numa recíproca permuta de gozo infinito, total transparência e comunhão perfeita. Um dia Deus decidiu desposar a humanidade para a introduzir na sua família, na sua vida, no seu amor. E deu-se a Incarnação do Filho de Deus. “O Reino dos céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu Filho”.

Banquete é celebração de amizade, de partilha de bens e de corações. É festa íntima e sinal de alegria, porque aí se manifesta a ardente comunhão de quantos nele tomam parte. Por estranho que pareça, diz o Evangelho que muitos dos que foram convidados recusaram o convite. É a história amarga de uma humanidade rebelde. Recusas e infidelidades são a resposta constante aos apelos de Deus. Uns fecham-se em si mesmos, outros vão atrás de gostos profanos ou interesses materiais. Às propostas da graça preferem os seus negócios.
Enquanto Deus não valer mais que as minhas preocupações, não ocupará no meu coração o lugar que lhe pertence. Temos diante de nós um banquete de pratos suculentos e enganamos a fome com migalhas de ilusão. Tal como o filho pródigo que preferiu as bolotas à abundância da intimidade da casa do pai.

O convite de Deus é para todos gratuito e generoso. Ninguém pode dizer que não foi convidado, porque a todos o Senhor concede uma graça suficiente e eficaz para a salvação. Só que não arromba a porta da nossa liberdade. Estimula-nos, mas com respeito e discrição.
É um convite gratuito, mas tem condições. A resposta compromete-nos. Ninguém se pode apresentar esfarrapado e sujo. O Evangelho fala de uma veste nupcial que a todos é pedida. Um vestido novo que simboliza a fé e as obras de misericórdia sem as quais não se pode entrar no banquete. Foi no batismo que o recebemos e com ele o empenho de nos sintonizarmos com os sentimentos de Cristo e de viver como Ele viveu, semeando no mundo os seus gestos. Era São Patrício que assim rezava: “Cristo diante de mim, Cristo atrás de mim, Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda, Cristo nos meus olhos, Cristo em todos os meus passos”. Revestidos de Cristo para sermos no mundo uma sua presença.

A Eucaristia é a antecipação do grande banquete celeste preanunciado pelo profeta Isaías, onde todos os povos, sentados à mesa de Deus, formarão uma só família. É o festim dos eleitos que Cristo inaugurou no monte Sião do Cenáculo e que agora é celebrado na Igreja de todos os povos e nos vai conduzindo, dia a dia, até ao Banquete eterno. A Eucaristia é a presença real do Ressuscitado que cria intimidade com cada um de nós para depois nos enviar como suas testemunhas pelas estradas do mundo. “Desta intimidade – dizia o Papa Bento XVI – que é dom pessoalíssimo do Senhor, a força da Eucaristia vai para além dos muros das nossas Igrejas. O Senhor está sempre a caminhar pelo mundo. Nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas das nossas cidades. As nossas estradas sejam estradas de Jesus! As nossas casas sejam casas para Ele e com Ele! A nossa vida de cada dia seja penetrada pela sua presença”.

Darci Vilarinho