Liturgia do 26º Domingo Comum – Ano B
30/09/2018
Não somos donos da salvação

Num 11, 25-29; Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-48

“Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco”. É um modo de agir que Jesus procurou corrigir nos seus discípulos. Também nós podemos cair nele. Sem nos darmos conta podemos, na nossa rigidez ou dogmatismo, aprisionar a liberdade do Espírito Santo, que sopra onde quer e como quer.

Cuidado! Nós cristãos não somos os donos da salvação, que nos foi oferecida por Cristo. Embora com diferentes responsabilidades e modalidades, dentro da Igreja, nós temos apenas a tarefa de apresentar a pessoa de Cristo aos outros, com o nosso testemunho, a nossa palavra, as nossas obras. Temos sempre a tentação de erguer barreiras entre os homens em nome de Deus. Temos a tentação de sermos nós, e apenas nós, os detentores da Verdade, com o risco de rejeitar ou condenar todos os que não pensam ou não agem como nós. É uma tentação que gera fanatismos que não são do agrado do nosso Deus, Pai de todos, misericordioso para com todos os que o invocam e fazem a sua vontade.

Somos chamados a valorizar no mundo tudo aquilo que manifesta a presença redentora de Cristo. Somos chamados a valorizar cada gesto, por mais simples que seja, que parta de um coração bom, desejoso unicamente de fazer o bem seja a quem for. Disse-o Jesus quando afirmou, no Evangelho deste Domingo, que “dar um copo de água fresca a alguém, por ser de Cristo, não perderá a sua recompensa”.
Quantos copos de água podemos oferecer por amor… Cada gesto gratuito, por mais pequeno que seja, que parta de um coração bom, não ficará sem recompensa. Devemos então valorizar todas as pessoas e todos os gestos de bem fazer. O nosso desejo mais profundo deveria ser o de Moisés, expresso na 1ª leitura: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!”

Todos profetas - A palavra de Deus não está ligada a pessoas ou estruturas. O seu Espírito sopra onde quer. A verdade não é propriedade exclusiva de ninguém. A verdade é Cristo. Foi Ele quem nos marcou com o seu selo – o nosso batismo – para que todos fôssemos profetas. Profeta é aquele que fala de Deus, com a palavra e com a vida. É aquele que anuncia e denuncia, com a palavra e com a vida. É aquele que Deus chama para intermediário entre Si e o seu povo. "Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles".
Torna-nos, Senhor, conscientes do batismo que recebemos e da responsabilidade missionária que assumimos de falar de Deus às pessoas do nosso tempo.

Darci Vilarinho